A biorrefinaria está projetada para ser instalada na ZPE Bacabeira
SÃO LUÍS – A expectativa de aprovação, pelo Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE), do projeto de biorrefinaria de etanol de 2ª geração (E2G) da empresa 4Wood Biotech marca momento decisivo vivido pela ZPE Bacabeira. A proposta, baseada em tecnologia avançada e no aproveitamento de biomassa do bambu como matéria-prima renovável, é vista como um projeto capaz de alinhar inovação, sustentabilidade e vocação exportadora, pilares centrais do regime das ZPEs. O projeto foi apresentado nesta terça-feira (07/04) na Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) durante reunião do Conselho Temático de Desenvolvimento Industrial (CODIN).
O diretor de Engenharia da empresa administradora da ZPE Bacabeira, Willinton Burak, apresentou o status de implantação da zona de processamento e Luismar Porto, Chief Technology Officer da empresa 4wood Biotech, falou sobre o projeto da biorrefinaria de etanol. Luiz Fernando Renner, vice-presidente executivo da FIEMA e presidente do CODIN, destacou a ZPE Bacabeira como um projeto estratégico para o desenvolvimento industrial e econômico do Maranhão e falou da necessidade de qualificação de mão de obra maranhense para atuar em projetos industriais de alta complexidade tecnológica e de relevância internacional.
“A ZPE cumpre um papel central ao criar um ambiente capaz de atrair empreendimentos industriais robustos, inovadores e sustentáveis, alinhados às exigências do mercado internacional. Nesse contexto, o projeto da 4Wood é visto tanto pelo alto volume de investimentos previstos quanto pelo seu potencial de geração de empregos e de forte impacto positivo na economia estadual, especialmente no setor do agronegócio”, frisou Renner durante a reunião. Além de empresários do setor produtivo, presidentes de sindicatos associados à Federação e a prefeita de Bacabeira, Naila Gonçalo, estiveram presentes na reunião representantes da SEDEPE, AGED, SEINC, SAGRIMA, SAF, CAEMA, IMESC, EMAP, IFMA, SESI, SENAI, FTL, SEBRAE, EMBRAPA, Receita Federal, BNB, Banco da Amazônia, Vale, AVB, entre outras instituições.
capacidade de sequestro de carbono e há muitas oportunidades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), como por exemplo descoberta de enzimas, desenvolvimento de leveduras e aplicações farmacêuticas e biomateriais.
“Temos necessidade de formação de recursos humanos e parcerias locais, como IFMA, Embrapa, SENAI, universidades e estrutura pública, para garantir cadeia de suprimentos contínua, logística de concentração e exportação, além de integração com agricultura familiar e aquicultura. O projeto prevê investimento na casa de US$ 470 milhões e faturamento estimado de aproximadamente US$1 bilhão/ano, com geração de empregos especializados e impactos socioeconômicos locais, além de fomentar startups e pesquisa aplicada na região”, destacou Luismar Porto.
Milton Campelo, presidente do Sindicato das Indústrias de Cana, Açúcar e Álcool do Maranhão e Pará (SINDICANÁLCOOL), ligado à FIEMA, considerou estratégica a implantação de uma biorrefinaria de etanol de bambu no Maranhão, uma vez que o estado é o maior produtor de etanol do Norte e Nordeste. “Isso amplia sua liderança ao consolidar uma cadeia de biocombustíveis que complementa a produção de cana e milho e gera subprodutos para a química e alimentação animal. O modelo de biorrefinaria aumentará a diversidade industrial e as oportunidades econômicas, sobretudo se aproveitadas terras degradadas e a participação da agricultura familiar para acelerar a transição produtiva e contribuir para a descarbonização da indústria”, resumiu.

