Empresas maranhenses discutem novas oportunidades
SÃO LUÍS – A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) reuniu empresários, presidentes de sindicatos e acadêmicos para discutir as mudanças no mercado de energia elétrica e as oportunidades que a ampliação do mercado livre pode trazer para empresas maranhenses. O encontro, realizado na quinta-feira (10), reuniu os Conselhos Temáticos de Infraestrutura (COINFRA) e de Micro e Pequenas Empresas (COMPEM) da entidade.
A abertura foi conduzida pelo vice-presidente executivo da FIEMA e presidente do COMPEM, Celso Gonçalo, e pelo presidente do COINFRA, João Batista Rodrigues. Eles destacaram a importância da aproximação entre o setor produtivo e os agentes do mercado de energia para acompanhar as transformações e discutir seus efeitos sobre as empresas.
Para Celso Gonçalo, o diálogo com a Equatorial é uma forma de aproximar a indústria das discussões sobre o setor elétrico e buscar soluções para demandas do setor produtivo. “O Conselho tem sido um espaço importante de diálogo e construção conjunta, especialmente neste ano, em que avançamos na aproximação com a Equatorial por meio das reuniões realizadas aqui na Federação das Indústrias. Esta é uma casa de debates, de discussão qualificada e de articulação em favor do desenvolvimento”, afirmou.
A coordenadora Comercial da Echoenergia, do Grupo Equatorial, Renata Meireles, apresentou a palestra “Energia é Estratégia: Como o Mercado Livre de Energia está transformando a forma como as empresas compram, gerenciam e usam energia”.
A apresentação mostrou como o mercado livre de energia vem ampliando o espaço para que consumidores escolham as condições de contratação que melhor atendam às suas necessidades. Nesse modelo, a empresa pode negociar a compra da energia com fornecedores, enquanto a distribuidora continua responsável pela operação e pela entrega física pela rede local.
Segundo Renata, a abertura gradual do mercado alcança agora consumidores da baixa tensão, ampliando o universo de empresas que poderão avaliar essa alternativa. O cronograma apresentado prevê a abertura para a indústria e o comércio em 25 de novembro de 2027 e, no ano seguinte, para os demais consumidores de baixa tensão. “O mercado de energia tem 30 anos de funcionamento e muitas indústrias já participam do mercado livre. A partir do ano que vem, a indústria do Grupo B também poderá fazer essa contratação, o que traz mais alternativas de economia e previsibilidade nos custos de energia e permite transformar essa possibilidade em oportunidade de menor custo para as empresas”, explicou Renata.
A mudança não significa uma migração automática. A apresentação ressalta que a escolha pelo mercado livre é facultativa e exige que o consumidor conheça as condições oferecidas antes de tomar uma decisão. Entre os pontos que passam a ganhar importância estão a comparação de propostas, o entendimento dos contratos e o acompanhamento das condições de fornecimento.
ENTENDER ANTES DE ESCOLHER – Para consumidores que ingressam nesse ambiente, a principal diferença está na possibilidade de escolher o fornecedor de energia. A rede de distribuição, porém, continua sendo operada pela distribuidora local. A comercializadora oferece a contratação, enquanto o agente varejista pode representar o consumidor perante a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Renata Meireles também chamou atenção para a necessidade de planejamento. Com mais opções disponíveis, empresas precisam avaliar contratos, preços, condições e riscos antes de escolher. A ideia é que a energia deixe de ser vista apenas como uma despesa e passe a ser tratada também como parte da estratégia de gestão dos negócios.
O crescimento do mercado livre já alcança parcela relevante do consumo nacional. De acordo com os dados apresentados no encontro, o ambiente responde por cerca de 40% do consumo elétrico brasileiro, com 84 mil unidades consumidoras, além de representar aproximadamente 95% do consumo industrial e 47% do consumo comercial.
Estiveram presentes Marlon Aguiar, presidente do Conselho de Consumidores da Equatorial Maranhão e José Jorge Leite, diretor de Relações Institucionais e de Planejamento da Equatorial Maranhão, além de diretores da FIEMA.

