O assunto foi tema de formação promovida pela FIEMA, SEBRAE Maranhão e CIEMA
SÃO LUÍS – A capacitação “Rota da Influência – Formação em Relações Institucionais, Governamentais e Advocacy”, realizada nesta quinta-feira (05/02), na FIEMA, foi voltada a empresários, lideranças e profissionais da indústria que desejam fortalecer sua atuação estratégica junto ao poder público e a atores institucionais. A formação abordou conceitos e práticas essenciais para a construção de agendas institucionais, defesa de interesses e incidência qualificada em políticas públicas, o que contribui para o posicionamento estratégico do setor industrial.
A iniciativa foi promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) e pelo SEBRAE Maranhão, no âmbito do Projeto Inova Indústria; com correalização do Centro das Indústrias do Estado do Maranhão (CIEMA) e contou com a execução técnica do Instituto Euvaldo Lodi (IEL-MA). Os trabalhos foram conduzidos pela instrutora Isadora Gomes da Silveira, coordenadora de Relações Internacionais da Ação da Cidadania. Isadora possui sólida trajetória na articulação institucional e na defesa de interesses estratégicos em Brasília, com experiência no acompanhamento de pautas junto à Esplanada dos Ministérios e ao Congresso Nacional.
ARTICULAÇÃO – De acordo com Isadora, para as organizações que não atuam na área de Relações Institucionais e Governamentais, o impacto negativo inicial costuma ser financeiro. “No entanto, há também um custo reputacional significativo e a perda de oportunidades para alavancar o setor e influenciar políticas públicas tanto no estado quanto no país. Essas perdas reduzem a capacidade da organização de participar efetivamente da tomada de decisões que afetam seu campo de atuação”, explicou.
Ela alerta que os profissionais da área não podem deixar de acompanhar o cenário político em todas as esferas (federal, estadual e municipal) e que atuar com poucos dados é um erro grave. “Os argumentos precisam ser técnicos, cientificamente embasados e não poluídos por opiniões pessoais. Relações Institucionais e Governamentais é uma atividade organizacional que exige uma equipe estruturada e segmentada, com monitoramento, especialistas do setor e inteligência da informação, para conseguir influenciar políticas públicas”, reforçou.
Um outro ponto relevante destacado pela instrutora é que Responsabilidade Social se tornou um pilar indispensável das Relações Institucionais e Governamentais e deve estar integrada à pauta de comunicação das organizações, pois precisa ser divulgada e ampliada. “Comunicação assertiva passa por escuta ativa da sociedade e dos representantes. É preciso reconhecer e respeitar pautas legítimas e buscar consensos, sem ignorar demandas democráticas, agindo com profissionalismo mesmo diante de posições ideológicas distintas”, orientou Isadora.
DESAFIOS – Durante a formação, participantes de empresas como Vale, VLI, Moinho Cruzeiro do Sul, EMAP, Alumar e Suzano; de representantes de sindicatos patronais filiados à FIEMA, da própria Federação, do CIEMA e do Governo do Estado, entre outros, elencaram os seus principais desafios. Entre eles alguns são recorrentes, como a necessidade de um monitoramento legislativo sistematizado (um “radar” institucional) para antecipar e reagir a projetos de lei e políticas públicas em esferas municipal, estadual e federal; a morosidade, burocracia e incerteza do licenciamento ambiental, que impactam cronogramas e investimentos; os efeitos potenciais da reforma tributária sobre competitividade e custos setoriais e a descontinuidade de acordos e projetos diante de trocas de gestão pública, o que fragiliza programas de longo prazo.
Esses desafios aparecem de forma transversal em empresas dos setores de mineração e logística, indústrias de alimentos e bebidas, setor portuário, siderurgia e demais cadeias produtivas atendidas por associações e federações locais, além de consultorias ambientais e instituições do terceiro setor, evidenciando a necessidade de estratégias integradas, capacidade técnica e articulação multissetorial para mitigar riscos e viabilizar projetos de desenvolvimento.
Para Milton Campelo, presidente do Sindicato das Indústrias de Cana, Açucar e Álcool do Maranhão e Pará (Sindicanálcool), os desafios atuais do setor sucroenergético são a transição do etanol de cana para milho, a ampliação local do consumo de etanol e o posicionamento do setor em mercados globais. Já para Flávio Moura, Relações Institucionais da Alumar, questões urbanísticas e ambientais são as que mais preocupam. Giselly Pinto, que é Relações Institucionais da Vale, citou o alto volume de demandas sociais e a necessidade de atuação sem substituir o Estado. Por fim, o Relações Institucionais da FIEMA, Roberto Bastos, lembrou que o Sistema FIEMA atua de maneira contínua na defesa de interesses do setor produtivo. Exemplo disso é o trabalho realizado por seis Conselhos Temáticos, a contribuição do Grupo “Pensar o Maranhão” e a atuação do CIEMA.


