Palestra com Philipe Moura, da consultoria Eurásia Group, enfatizou a necessidade de inteligência antecipada para PMEs e grandes corporações
SÃO LUÍS – A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), por meio do seu Conselho Temático de Desenvolvimento Industrial e Inovação (CODIN), trouxe ao estado uma discussão essencial para o momento atual: “Geopolítica como variável estratégica: protegendo e alavancando negócios na era da incerteza global”. A palestra foi ministrada por Philipe Moura, CRO do Eurásia Group no Brasil, uma das principais consultorias de risco político do mundo.
O presidente do CODIN e vice-presidente executivo da FIEMA, Luiz Fernando Renner, destacou a relevância de aproximar o setor produtivo de serviços especializados capazes de apoiar empresas na leitura de cenários globais e no posicionamento estratégico de suas operações. A FIEMA segue avaliando possibilidades de cooperação institucional que fortaleçam ainda mais o empresariado maranhense.
Philipe Moura tem ampla trajetória em estratégia corporativa, inovação, políticas públicas e investimentos. Moura mostrou como conflitos internacionais, guerras tarifárias, volatilidade cambial e quebras nas cadeias globais de suprimento têm alterado profundamente o ambiente de negócios, exigindo que empresas se antecipem a cenários, riscos e oportunidades. Moura defendeu a necessidade de levar análises geopolíticas tanto para grandes quanto para pequenas e médias empresas.
O consultor definiu o momento atual como “Era da Incerteza”, marcada por eventos recentes, como pandemia, conflitos como a guerra na Ucrânia, crises energéticas, tensões comerciais e avanços tecnológicos, que alteram rapidamente o ambiente de negócios. Ele usou exemplos práticos (impactos imediatos em empresas após sanções, rupturas nas cadeias de suprimento, dependência de fertilizantes e terras raras e a escassez de infraestrutura para semicondutores/GPUs) para mostrar como choques externos podem destruir valor empresarial em poucos dias.
“É importante que as instituições tenham inteligência antecipada e instrumentos de monitoramento que permitam agir antes das decisões regulatórias se cristalizarem. É necessário maior diálogo entre setores técnicos, reguladores e empresas para reduzir surpresas e permitir posicionamento estratégico”, finalizou o consultor da Eurásia Group, propondo parceria com entidades como a FIEMA para difundir análise de risco.


