Infraestrutura, Margem Equatorial e exportação estão entre os temas debatidos

SÃO LUÍS – A Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA) e o Centro das Indústrias do Estado do Maranhão (CIEMA) reuniram nesta quarta-feira (4) deputados estaduais em um encontro de trabalho voltado à construção de uma agenda comum para acelerar projetos considerados estratégicos ao desenvolvimento do Maranhão. Promovida por meio do Conselho de Assuntos Legislativos da Federação, a reunião buscou ampliar o diálogo institucional com a Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA), com foco em temas estruturantes para a indústria local, como infraestrutura e exploração da Margem Equatorial.
Na ocasião, o presidente da FIEMA, Edilson Baldez, apresentou aos parlamentares as entidades que compõem o Sistema FIEMA (SESI, SENAI, IEL, CIEMA e FIEMA) detalhando o papel de cada uma na promoção da saúde, da qualificação profissional, na inovação, na defesa de interesses do setor e no incentivo à competitividade industrial.
Segundo Baldez, a proposta do encontro foi organizar uma pauta ampla com projetos que, na avaliação do setor industrial, precisam de maior prioridade e agilidade por parte do poder público. “Hoje estamos trazendo uma pauta com os projetos que precisamos acelerar e priorizar. A Assembleia Legislativa, o Governo do Estado, a Federação e todos os segmentos organizados precisam unir esforços para destravar esses temas com mais velocidade”, afirmou.
PROJETOS RELEVANTES – Entre os assuntos apresentados pela indústria está a criação da Reserva Extrativista Tauá-Mirim (Resex), tema de forte repercussão econômica. De acordo com Baldez, caso seja efetivada nos moldes propostos, a medida impactará negativamente o desenvolvimento industrial, logístico e econômico de São Luís ao restringir a instalação de novos empreendimentos e limitar a expansão de plantas industriais já existentes na região. O presidente destacou que a criação da unidade de conservação poderia atingir empresas instaladas no entorno do Distrito Industrial da capital, incluindo operações ligadas ao Porto do Itaqui.
Outro projeto citado foi a Zona de Processamento de Exportação do Maranhão (ZPE Bacabeira), considerada pela FIEMA um instrumento estratégico para impulsionar o desenvolvimento estadual. O complexo, planejado para atrair investimentos voltados à exportação, tem potencial para ampliar a atividade industrial, gerar empregos e fortalecer a inserção do Maranhão no comércio internacional.
Baldez também ressaltou o potencial econômico da exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial brasileira, especialmente nas bacias Pará-Maranhão e de Barreirinhas. Segundo ele, a atividade pode representar uma importante alavanca para o crescimento econômico regional caso os projetos avancem com segurança regulatória e ambiental.
Outro ponto defendido pelo setor produtivo foi a implantação do Terminal Marítimo São Luís–Alcântara, projeto aguardado há décadas. A estrutura deverá permitir ligação marítima permanente entre os dois municípios, funcionando 24 horas por dia e facilitando o acesso ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Para a indústria, a iniciativa também será fundamental para viabilizar a criação de um complexo aeroespacial no Maranhão.
Na área de infraestrutura logística, a FIEMA voltou a defender a duplicação da BR-135 no trecho entre Santa Rita e Entroncamento. A obra, considerada essencial para o escoamento da produção estadual, encontra-se paralisada devido a uma ação judicial. Empresários argumentam que a ampliação da rodovia é necessária para melhorar o fluxo de cargas e aumentar a segurança no transporte.
Outro investimento apontado como prioritário pelo setor produtivo é a construção do viaduto de acesso à Vila Maranhão. A intervenção, segundo representantes da indústria, terá papel importante na segurança viária e na melhoria do tráfego de caminhões que seguem em direção ao Porto do Itaqui.
APOIO POLÍTICO – Para o vice-presidente executivo da FIEMA e presidente do CIEMA, Cláudio Azevedo, a articulação institucional é essencial para destravar iniciativas estratégicas. “Apresentamos projetos que precisam avançar. A Margem Equatorial, a ZPE, a duplicação da BR-135 são temas que dependem de apoio político para ganhar força. Quando nos unimos, quem ganha é o Maranhão”, disse.
A presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale, destacou a importância da aproximação entre o Legislativo e o setor produtivo. “Participamos de um momento de diálogo com a FIEMA, com empresários e representantes da indústria, um setor que gera emprego, renda e desenvolvimento. A Assembleia é a casa do povo do Maranhão e o diálogo é a nossa marca. Precisamos caminhar juntos para fortalecer a economia e ampliar oportunidades no estado”, afirmou.
Ao final do encontro, foi formalizado um termo de cooperação técnica entre a FIEMA e a Assembleia Legislativa. O documento estabelece ações institucionais conjuntas voltadas ao fortalecimento do diálogo, à promoção de iniciativas de interesse comum e ao apoio técnico em temas relacionados ao desenvolvimento industrial do Maranhão. Participaram da reunião integrantes da diretoria do Sistema FIEMA, deputados estaduais, empresários, lideranças do setor produtivo e representantes de entidades empresariais.

