A ação visa impulsionar economia circular e gerar empregos no Maranhão
A logística reversa tem se destacado como uma estratégia essencial para promover a economia circular e a inclusão social no Maranhão. Quando um produto é descartado após o uso, isso não significa que seu ciclo produtivo terminou. Parte dos resíduos pode ser devolvida à indústria para reaproveitamento, reduzindo desperdícios e a necessidade de novas matérias-primas. Esse processo, denominado logística reversa, envolve coleta, transporte e destinação adequada de resíduos, permitindo que eles retornem ao ciclo produtivo.
Nesta sexta-feira (28), a Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), em uma iniciativa do Conselho Temático de Meio Ambiente (CTMA), em parceria com o Governo do Maranhão, por meio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA), e com o apoio do Ministério Público Estadual, promoveu o Workshop de Logística Reversa do Maranhão, realizado na Casa da Indústria Albano Franco. O evento teve como objetivo debater diretrizes e desafios da logística reversa, apresentar as obrigações e prazos para cadastro das empresas no Sistema de Logística Reversa (Sisrev) e fortalecer a cadeia de reciclagem no estado.
O vice-presidente executivo da FIEMA e presidente do referido Conselho, Benedito Mendes, ressaltou a relevância do evento para empresários e cooperativas. “Eventos como esse são essenciais, pois, além de abordarem a questão ambiental, promovem o desenvolvimento estrutural das cooperativas e proporcionam oportunidades econômicas para a população”, afirmou.
O promotor Fernando Barreto, titular da 1ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Meio Ambiente, Urbanismo e Patrimônio Cultural de São Luís destacou que a logística reversa no Maranhão é uma estratégia fundamental para promover a economia circular e a inclusão social. “A iniciativa de logística reversa, feita de forma voluntária e por adesão, incentiva as indústrias a investirem socialmente, beneficiando catadores e gerando atividade econômica. Desde 2020, e com mais força a partir de 2022 e 2023, o sistema implementado com apoio do governo já emprega diretamente 696 pessoas, ultrapassando mil trabalhadores na coleta e envio de materiais recicláveis para a indústria. Ao integrar a Federação das Indústrias nesse processo, o estado melhora a gestão de resíduos sólidos, gera emprego e renda e promove a preservação ambiental sem exclusão social ou repressão”, declarou.
A logística reversa é regulamentada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que estabelece a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e serviços públicos de limpeza urbana.
Ainda durante o evento, foi apresentado o Sistema Sisrev, uma plataforma inovadora para controle e gestão da logística reversa, garantindo transparência e rastreabilidade na gestão de resíduos sólidos. Respaldado pelo decreto nº 38.140/2023, o Sisrev otimiza o monitoramento de ações de logística reversa e fortalece a economia circular ao valorizar a reciclagem e reutilização de materiais.
O Secretário da SEMA, Pedro Chagas, também enfatizou a importância da participação de todos os atores na logística reversa. “Precisamos ouvir todos os envolvidos para construir soluções sustentáveis. Com ações como essa, protegemos o meio ambiente e geramos renda para as cooperativas. O Sistema Sisrev será essencial para controlar e garantir a transparência de toda essa cadeia da logística reversa”, destacou.
Entidades gestoras também apresentaram seus programas e iniciativas voltados à logística reversa, incluindo investimentos em cooperativas de catadores e ações de educação ambiental. Fábio Brasiliano, diretor de Desenvolvimento Sustentável da Associação Brasileira das Indústrias de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, ressaltou a importância do Sisrev. “O sistema consolida informações sobre planos de logística reversa, entregas realizadas por entidades gestoras, massa recuperada e dados sobre catadores. É um avanço essencial para a indústria e a reciclagem”.
Atualmente, o Brasil conta com 2.941 organizações de catadores, empregando cerca de 86,8 mil trabalhadores e sendo responsáveis pela recuperação de 1,7 milhão de toneladas de resíduos. No Maranhão, são 37 cooperativas e aproximadamente mil catadores. Fabiana de Oliveira, coordenadora do Fórum Estadual de Desenvolvimento Sustentável das Catadoras e Catadores de Material Reciclável do Maranhão, enfatizou a necessidade de reconhecimento da classe. “Eventos como este dão visibilidade aos catadores, permitindo maior fluxo de materiais e aumento de renda para as cooperativas”.
A integração da Federação das Indústrias nesse processo fortalece a gestão de resíduos sólidos, promovendo não apenas a geração de empregos e renda, mas também a preservação ambiental. A iniciativa reforça um modelo de desenvolvimento sustentável, sem exclusão social, e amplia o compromisso com a economia circular no Maranhão.